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Sabemos, e não é de hoje, que nosso país não valoriza a inovação, a criatividade e, sobretudo, a educação como meios de aumentar o nível sócio-econômico da população.

Temos, no entanto, uma série de pessoas inventivas e capazes de desenvolver ideias tão boas quanto nos países mais afeitos a revoluções tecnológicas.

Entretanto, a falta de estrutura – legislação ultrapassada, somada a dificuldade a crédito e educação de baixa qualidade (veja que não chamo isto de apoio governamental, somente de estrutura) – acaba por fazer com que o número de pessoas aptas a ter acesso a um laboratório de computação, química, física, dança, ou o que quer que seja, seja diminuto. Isto tira oportunidades de inovação imensas da economia do país, dificultando saltos de qualidade nas questões tecnológicas e científicas que temos que enfrentar.

Surgem, no entanto, alguns “Pelés” da inovação. São pessoas que por si só, mesmo com o mundo inteiro atrapalhando, conseguem se sobressair e desenvolver soluções para nossos problemas. Estes herois resolvem pontualmente os problemas, mas não se deve fiar o futuro do país nestes casos isolados. Uma política educacional decente, muito melhor do que está aí, deve ser pensada.

Enquanto isso, fiquemos com nossos “Pelés” do mundo da inovação. Segue o exemplo de um no artigo de Gilberto Dimenstein, publicado na Folha de São Paulo, em outubro de 2009, demonstrando que ainda temos esperança:

São Paulo, domingo, 04 de outubro de 2009

GILBERTO DIMENSTEIN

Como surgem inventores. E milionários


Romero Rodrigues transformou sua vocação para a informática em um negócio de US$ 342 milhões

COM O DINHEIRO que ganhava do estágio no Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores (Larc), da Poli, Romero Rodrigues conseguia economizar R$ 100 por mês, às vezes só dava R$ 50, para investir numa experiência em internet.
Com mais três colegas -dois da Poli, um da FGV-, aplicava R$ 300 mensais. Na semana passada, o que sobrou desse passado foram só os três primeiros dígitos. Uma parte da empresa foi vendida a um grupo estrangeiro por US$ 342 milhões.
A ideia surgiu quando eles, em 1999, perceberam que não havia na internet um jeito de comparar preços de produtos vendidos nas lojas. Nascia, assim, o Buscapé.
Perguntei a Romero sobre seu prazer de descobrir coisas. No relato sobre sua vida, dá para perceber o modelo que o ajudou a fazer tanto sucesso em tão pouco tempo -há anos registro casos de inovadores e, quase sempre, noto um padrão que se repete.
Antes que me confundam com escritor de autoajuda, vou logo avisando. Não vou dar uma receita, mas apenas mostrar que os inovadores de destaque têm pontos em comum.

Comecei perguntando sobre a infância. Romero lembrou-se da paixão que tinha por um brinquedo chamado “O Alquimista”, que misturava produtos químicos. “Gostava tanto, mas tanto, que economizava cada gota dos vidrinhos. Foi, durante muito tempo, meu maior tesouro.”
Puxando pela memória, ele se lembrou de que tinha mania de desmontar os aparelhos que encontrava pela frente e, depois, remontá-los -o que fazia de seu quarto uma espécie de laboratório. “Nada me seduziu tanto quanto o computador.”
Aos 12, montou, sozinho, em casa, seu primeiro jogo no computador, em que bichos passavam por túneis.

Como se vê, Romero era um menino curioso e, desde cedo, desenvolveu o encanto pela experiência, encontrando uma vocação.
Aparece aí mais uma característica. O prazer não estava em ganhar dinheiro, mas em produzir novidades. “O dinheiro foi consequência.” Na frente, estava um sonho que, ao contrário das empresas, tem uma contabilidade imaterial guiada apenas pela emoção.

Dificilmente, ele não iria muito longe se fosse apenas um curioso. Ser criança, afinal, é ser curioso.
Romero frequentou uma das melhores escolas da cidade de São Paulo (Visconde de Porto Seguro), onde teve as primeiras aulas de computação e a chance de mergulhar nos laboratórios. Sem isso, teria dificuldade de entrar na USP e obter uma base teórica sólida para fazer programação na internet.
Sabia, porém, transformar informação que vinha da sala de aula em conhecimento, ou seja, algo prático.

Notam-se curiosidade natural, inteligência acima da média para pelo menos uma área (no caso, a computação), boa formação escolar, apoio familiar. Mas falta algo -e, na minha visão, decisivo. Falta o mestre, aquela figura indispensável que ajuda a canalizar a curiosidade.
Quando lhe perguntei sobre os mestres que o estimularam mais, a resposta veio rapidamente: o pai, também chamado Romero. E também engenheiro. Não se incomodava com os aparelhos desconstruídos, espalhados pela casa. Pelo contrário, mostrava-se orgulhoso. “Via o esforço do meu pai em pagar a mensalidade.”

Muitos dos colegas de Romero ganharam um carro quando entraram na faculdade. Com ele, foi diferente. O pai raspou as economias para dar-lhe um moderno computador.
Justamente com esse computador que, aos poucos, foi ficando velho, Romero montou o programa de buscas na internet, agora com 50 milhões de usuários -e, com isso, os R$ 300 mensais viraram, na semana passada, US$ 342 milhões.

É mais um exemplo a mostrar que nada pode ser mais importante num país do que o estímulo à inovação -é por esse ângulo que se pode medir a tragédia que significa a falta de professores em ciências e a incapacidade de mostrar como a teoria se aplica ao cotidiano.

A questão de ética nas empresas tornou-se uma moda que, não mais que de repente, toda empresa precisa agora buscar e possuir.

Entendo, no entanto, que a questão da ética é mais profunda do que estamos vendo nos dias de hoje. Ela envolve aspectos além da mera atividade de responsabilidade social que cada empresa busca fazer, nos campos jurídico, econômico, ambiental e interno. Não devemos confundir estes conceitos, como demonstrarei aqui.

Mas, como diria Jack, vamos por partes.

Em primeiro lugar, é comum avaliar a questão ética face aos preceitos jurídicos. Assim, se uma empresa cumpre a lei, ela é consequentemente ética. Entretanto, o fato de se respeitar a legislação não faz de uma pessoa ou uma empresa automaticamente ética. Ao contrário, é possível encontrar-se empresas que, mesmo adequadas às normas legais, realizaram ações que feriram em muito os preceitos éticos econômico-sociais e causaram grande estrago no mundo.

Deixe-me dar um pequeno exemplo. Ao estruturar um fundo de investimentos nos EUA é necessário respeitar uma série de regulamentos da temida SEC (Security Exchange Comission) – a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) norte-americana. Bem, o caso é que fundos extremamente bem cotados, que geravam rentabilidade de milhões de dólares para investidores no mundo inteiro, acabaram provocando uma das maiores crises financeiras em décadas[1]. No entanto, estes fundos cumpriam com as exigências legais e regulamentares dos órgãos fiscalizadores norte-americanos.

O que deu errado, então? Bom, muita coisa. Para começar, a ciranda financeira em que o mundo estava metido não permitia que os operadores financeiros parassem e pensassem: “puxa, vender casas e imóveis de luxo a pessoas que não podem pagar e, depois, empacotar estas dívidas e pulverizá-las no mercado pode não ser um bom investimento, afinal.” Estes operadores precisavam dar o retorno que todos no mercado estavam dando com o mesmo tipo de ativo. Se eles não fizessem aquilo, outros fariam e lhes retirariam esta fatia do mercado. Como é possível, então, a posteriori, achar que o Goldman Sachs, o Citibank, o Santander e o falido Lehman Brothers – só para citar alguns – eram anti-éticos se, naquele momento, faziam o que era esperado deles? Neste ponto, a responsabilidade social pode até estar de acordo, mas as atividades eram anti-eticas em essência.

Avaliemos agora a vertente econômica da responsabilidade social e da ética.

Certa vez, o presidente da França, Georges Pompidou, disse que há três caminhos para se cair em desgraça: o mais rápido é o jogo; o mais agradável são as mulheres; o mais seguro é consultar um economista[2]. A economia nada mais é do que o estudo das consequencias não-intencionais das ações humanas. Portanto, atribuir uma visão simplista da economia, em que os lucros e empregos são desejáveis, não leva em conta um pano de fundo cada vez mais agressivo no mercado e nas relações econômicas.

Dizer que hoje as empresas operam de forma ética, mesmo considerando que existe alguma legislação para abuso de monopólios e oligopólios, é acreditar que as galinhas estarão seguras com os lobos tomando conta. As empresas monopolistas oprimem os ganhos das outras por maior participação de mercado, pouco se importando com lucros e empregos. Às vezes, para manter-se como monopólio, as empresas diminuem a eficiência operacional, impõem barreiras a novos competidores e fazem lobby no congresso para impedir a entrada de estrangeiros no mercado. Atitudes como estas são comuns e não olhar para isso é, no mínimo, ingenuidade. De novo, a responsabilidade de gerar lucro da empresa está resguardada, mas esmagar pequenos concorrentes pode até ser divertido, mas não é ético.

Quanto à questão ambiental, tenho uma simples palavra: Petrobras. Não sou contra a empresa em si, apesar de achá-la ineficiente e influenciada negativamente pelo governo (seu maior acionista). O ponto é que existe uma série de problemas no direcionamento estratégico da empresa que põem em risco sua sustentabilidade e a sustentabilidade do planeta no longo prazo.

Sua missão, como descrita em comerciais de TV, é prover energia. No entanto, a Petrobras consegue, em um momento de flagrante problema ambiental, focar seus esforços para extrair mais combustível fóssil não renovável (petróleo) de profundezas abissais, sem nenhuma preocupação com o impacto futuro deste tipo de tecnologia. É evidente que estes combustíveis serão descartados brevemente em face das novas alternativas renováveis (solar, eólica, hidrelétrica, etc.), menos poluentes e menos danosas para o meio ambiente. É claro que atualmente ninguém diz que a Petrobras é anti-ética com o meio ambiente. Talvez, em um futuro breve, ouviremos este discurso depois de bilhões de reais terem sido jogados fora.

Por fim, vale a pena comentar algo sobre o modo como as empresas trabalham atualmente.

Há uma tendência clara de crescimento populacional no planeta. Estimativas dão conta de que a população mundial se estabilize em torno de 9,5 bilhões de almas[3]. Se a capacidade de se gerar emprego para todos os 6 bilhões de habitantes já é ínfima hoje, imagine em 50 anos, quando atingirmos este pico de pessoas. Como exigir que países como a China deixem de utilizar mão-de-obra irrisoriamente paga para fabricação de produtos que serão utilizados por todos? Quanto mais pessoas no mundo houver, maior a disponibilidade de mão-de-obra para as empresas, o que facilitará cada vez mais a perda dos direitos trabalhistas (se é que existe isso em algumas partes do mundo). Este quadro poderá se deteriorar até uma situação em que as empresas que não reduzirem seus custos de mão-de-obra ficarão à mercê de uma falência ou coisa que o valha. Neste caso, a empresa que contrata funcionários de menor valor para seus postos de trabalho, ou terceiriza parte de sua estrutura não essencial não deixa de possuir responsabilidade social, pois age de acordo com as possibilidades estabelecidas para seu público interno, ou seja, preservando sua parte essencial.

Creio que todos que ainda lêem esta análise já entenderam a esta altura onde quero chegar.

Ter responsabilidade social não significa necessariamente ser ético.

Para Aristóteles, existia a pessoa virtuosa. O virtuoso era aquele que agia em função do que acreditava ser o bem puro. Este era o ético, aquele que agia de acordo com a natureza boa das coisas[4]. A ética grega, foi substituída pela ética pragmática de Kant, em que existia um imperativo do que era bom, externo aos seres humanos (geralmente em Deus). A escolha ética era feita por respeito ao que é certo. Existe uma terceira vertente que diz que o certo depende da maximização utilitarista, ou seja, do que é maximiza o prazer e diminui a dor das pessoas, respeitando os limites e a felicidade do outro.

A definição utilitarista, apesar de razoável, nos põe a seguinte contradição: se eu consigo maximizar meu bem-estar ganhando mais dinheiro, aumentando a felicidade (ou atendendo à necessidade) do outro, vendendo um bem, devo fazer isso. A implicação é que caso eu esteja vendendo um produto danoso à saúde em longo prazo (vamos dizer, cigarros), apesar de eu estar maximizando a felicidade do outro, estou condenando as pessoas a fazer algo que não farão bem a elas futuramente, mesmo que aumente a felicidade no presente.

O ponto aqui é o seguinte: a questão utilitarista atribui um sentido ético a qualquer transação de qualquer mercadoria, independente se ela é uma droga ilícita, lícita, ou um serviço digno ou degradante (p.ex. prostituição – afinal de contas a prostituta ganha seu dinheiro e o homem recebe prazer em troca).

Por fim, para demonstrar como a questão ética ainda não está resolvida em termos práticos, segue uma reportagem sobre a questão do consumo de cigarros no mundo. As empresas de cigarro são as que mais têm se preocupado com responsabilidade social e ética. Considerando a responsabilidade social fundamentada em quatro pilares (meio ambiente, economia, legalidade e respeito ao público interno) e a ética utilitarista, esta empresa atende a todos os requisitos, passando no teste ético / responsável socialmente. No entanto, atingir este número de 1 em cada 5 pessoas morrendo de doenças causadas pelo fumo é algo a se pensar.

 

Oct 29th 2009
From Economist.com

Where smoking kills most people[5]

NEARLY one in five deaths in rich countries is caused by smoking, according to new data released this week by the World Health Organisation. In 2004, the latest year for which data are available, tobacco use killed an estimated 5.1m people worldwide, or one in every eight deaths of adults aged 30 and over. Residents of richer countries are suffering more now because they have been smoking longer: cancers and chronic respiratory diseases caused by tobacco smoke take a long time to develop. Deaths in poor countries, where many more people have taken on rich-world smoking habits in recent decades, are predicted to rise dramatically in the next 20 years.

Porcentagem de mortes por doenças do fumo (Fonte: OMS)


[1] São os fundos subprime, que geraram uma onda de turbulências financeiras que já duram um ano.

[2] Fonte: Roberto Campos. A lanterna na popa – memórias. Vol 2. Topbooks: p.1292.

[3] Fonte: Al Gore. Documentário: Uma verdade inconveniente. Paramount: Nov/2007.

[4] Aristóteles. Ética a Nicômaco. Extraído do texto de Conard, Skoble e Irwin, Os Simpsons e a Filosofia, p.8.

[5] Acessível no site HTTP://www.economist.com


Se você pudesse dizer algo aos maiores líderes mundiais, o que diria?

É isso que Ban Ki-moon, Secretário-Geral da ONU, quer saber.

A ONU está fazendo um concurso de vídeo no Youtube, chamado Citizen Ambassador (Embaixador Cidadão), para se aproximar mais da população mundial. Assim, criou um concurso que vai escolher os cinco melhores vídeos que respondam como fazer deste mundo um lugar melhor e mais seguro para se viver.

O problema deste tipo de iniciativa é que ela não endereça nenhuma questão essencial da falta de representatividade das Nações Unidas. O fato de esta organização não ter nenhuma legitimidade jurídica, como se fosse um super-estado ou algo do gênero, faz com que suas iniciativas dependam completamente dos estados-membro. Assim, se os EUA quiserem atacar alguma outra nação, se a China não cumprir as cláusulas de redução de gases de efeito estuda, se Israel e Palestina ficarem em constante conflito, há muito pouco que a organização pode fazer. (*)

Isto não significa que a ONU seja um mero organismo de fachada. Sua criação respondeu a uma necessidade de organização das nações para criação de um espaço de conversa política que fosse adequado para dirimir as tensões pré-guerras. Ainda hoje sua atuação em operações de manutenção de paz (das quais o Brasil faz parte na operação do Haiti) é bem vista e ajuda a pacificar zonas em guerra e a dirimir o impacto nas populações civis.

De qualquer forma, vale a indicação. Vejam o vídeo:

(*) De fato, algumas ações importantes da ONU podem ser acessadas no site da própria organização: http://un.org/en/peace/

O comercial abaixo tem passado recorrentemente na televisão aberta:

Este comercial traduz uma visão recorrente de que o país precisa de riquezas, naturais ou não, para se estabilizar como nação.

Creio que o problema agora é mais grave. O governo e o país estão apostando em uma fonte de energia que poderá ser descartada futuramente, seja pelo preço futuro do barril, seja porque os níveis de emissão de carbono precisarão ficar em patamares adequados. A crença e a promessa de que o petróleo extraído irá trazer riquezas e desenvolvimento para o país pode não se concretizar, por algumas razões:

  1. Preço do petróleo. Existe uma tendência errática na demanda por petróleo no mundo. Isto se deve a uma necessidade especulativa em alguns mercados e também a uma indefinição da quantidade exata de reservas exploráveis a preços competitivos no mundo. O fato de que as reservas fiquem cada vez mais difíceis de serem extraídas poderá criar um problema para os consumidores e uma pressão nos preços, o que ensejará mudanças de tecnologia;
  2. Novas tecnologias substitutas de petróleo para autos. O fato de as tecnologias híbridas para automóveis (metanol, eletricidade, hidrogênio, entre outras) surgirem como alternativas viáveis para provimento de energia, algumas inclusive sem altos custos de produção, podem levar a uma obsolescência mais rápida do motor a combustão de derivados do petróleo;
  3. Novas tecnologias em geração de energia. As novas tecnologias de geração de energia que causam menor impacto na natureza estão começando a ser mais valorizadas. No Brasil a energia que abastece as casas e indústrias é predominantemente hidroelétrica. Em outros países, no entanto, usinas transformadoras de petróleo em energia elétrica são bastante comuns. O impacto deste tipo de usina é enorme em termos de emissões de carbono e países como os EUA já estão avaliando novos métodos de geração de energia;
  4. Inovações que reduzem a necessidade de energia nas cadeias produtivas. Um estudo da McKinsey & Co. (http://www.mckinseyquarterly.com/Energy_Resources_Materials/Environment/Increasing_the_energy_efficiency_of_supply_chains_2414)demonstra que existem meios de reduzir a dependência de energia nas cadeias de valor das empresa, a partir de algumas alavancas de redução. São elas: a) aumentar densidade transportada, b) redução na distância das cadeias produtivas, c) mudança do mix de transporte (ferroviário, fluvial, marítimo, etc.), d) aumento de tecnologia nos meios de transporte; e) manutenção e melhoria de frotas e f) aumento da eficiência da infraestrutura de transporte (transporte intermodal, coordenação e regulação, etc.);
  5. Aumento da consciência sobre questões ambientais. A crescente conscientização da população sobre problemas
    Ativistas do Greenpeace no marco regulatório do pré-sal

    Ativistas do Greenpeace no marco regulatório do pré-sal

    ambientais ultrapassou o meio dos ambientalistas (também chamados “eco-chatos”) e passa a ser discurso e prática presente na vida dos cidadãos deste e de outros países. O fato de ativistas do Greenpeace fazerem um protesto na comemoração do marco regulatório do pré-sal reflete uma preocupação crescente da sociedade com os impactos ambientais das iniciativas em energia não renovável.

Estes aspectos da utilização do petróleo como fonte de desenvolvimento e emprego têm, portanto, duas questões essenciais: i) esta pode não ser a fonte de energia que o mundo vai utilizar no futuro; ii) todo o esforço de investimento para extrair o petróleo de profundidades tão grandes pode não se pagar.

Em tempo, José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, em entrevista à Globo (http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL1291300-9356,00-PETROBRAS+DEVE+INVESTIR+US+BILHOES+NO+PRESAL+ATE+DIZ+GABRIELLI.html), informou que a Petrobras deve investir 111 bilhões de dólares até 2020. Caso haja uma reversão nas expectativas do preço do barril e as metas de redução de emissões de carbono se tornem uma necessidade e não um desejo, este dinheiro pode ficar enterrado a uma profundidade maior do que o próprio pré-sal.

Estou voltando a escrever no blog.

Parei um tempo para me recompor e curtir a minha filha, que nasceu dia 10/07.

Enquanto estava no hospital, vi este vídeo no TED.com. Mais uma vez, fiquei bem impressionado com a capacidade de extrair lições positivas para a vida de atividades que não necessariamente eu faria ou gostaria de fazer.

Simplificadamente, o autor Matthew Child descreve nove lições de vida que ele aprendeu com o alpinismo. São elas:

1. Não desista. Aqui ele diz que às vezes nosso cérebro desiste das coisas antes mesmo de nosso corpo realmente estar incapacitado de realizar estas coisas;

2. Hesitação é ruim. Criar um certo ritmo e um momento, no sentido físico da palavra, é importante. Hesitar no que se vai fazer pode fazer você cair;

3. Tenha um plano. Às vezes, planejamos tanto para as piores partes da vida que deixamos de lado coisas menores, que podem nos atrapalhar e nos fazer cair depois;

4. Temos que ir até o fim. Se você começa uma escalada, é importante você continuar até o fim;

5. Saiba como descansar. Mesmo os melhores alpinistas, sob as situações mais tensas da escalada, precisam parar um pouco para descansar;

6. Medo é ruim. O medo pode paralisar uma pessoa e pode fazer com que se perca o foco do que realmente é importante. O ponto é que você se concentra no que vai acontecer se você falhar e não no seu objetivo;

7. Opostos são bons. Às vezes não adianta fazer o que se está acostumado. É necessário uma atitude diferente para conseguir subir;

8. Força não é igual sucesso. Nem sempre ser o mais forte é o pré-requisito necessário para se consquistar algo. Muitas vezes, equilíbrio é a peça chave para se alcançar o que se quer;

9. Saiba quando desistir. Algumas vezes é importante saber quando continuar pode trazer mais malefícios do que desistir.

Estas lições podem parecer simplórias, mas são conclusões interessantes e aplicáveis quando ser avalia nosso dia a dia.

Vejam o video.

Algumas coisas surgem com uma finalidade, mas, depois, as pessoas criam outras funções não antes pensadas. Existem alguns exemplos deste tipo, mas o que este gordinho fez com o controle remoto o Nintendo Wii é bastante impressionante.

A ideia dele foi a seguinte: com a ajuda da câmera infravermelha do controle remoto e um software muito bem desenvolvido, ele consegue construir um quadro interativo em qualquer superfície, sensível a uma caneta infravermelha ou, até, ao toque humano, como uma tela de iPhone.

O grande diferencial da abordagem deste pesquisador é que o software que ele produziu está disponível em seu site (http://johnnylee.net/projects/wii/) para download gratuito. O legal é que muitas pessoas já baixaram este software e implantaram muitas outras funcionalidades diferentes.

O grande beneficio de sua abordagem é que invariavelmente Johnny Lee (este é o nome do gordinho) busca utilizar aparelhos que custam pouco e que todos podem ter acesso. Assim, os softwares são construídos a partir de coisas comuns no dia a dia das pessoas.

Vale a pena uma olhada no site dele (http://johnnylee.net/projects/wii/). Uma palhinha pode ser vista aqui, em um vídeo do TED:

Os países se veem hoje com um desafio de recuperar suas economias em meio a uma crise de confiança no sistema econômico. Mas, como conciliar os problemas do desenvolvimento econômico, sustentabilidade e as crises financeiras?

Alguns países estão fazendo uma junção destas duas coisas.

A Coréia do Sul iniciou um programa de cerca de 38 bilhões de dólares, que espera gerar 1 milhão de novos empregos em 5 anos (Fonte: Elrst French Blog -http://www.elrst.com/2009/01/08/a-38-billion-usd-green-new-deal-for-south-korea/#more-3369). O programa se chama “Green New Deal”, uma referência ao New Deal norte-americano da década de 1930.

southkoreaflag

Dentre os projetos que serão implantados, estão conservação de energia, redução de emissões de carbono, prevenção de enchentes, desenvolvimento de comunidades e prevenção de florestas. A ideia subjacente vem das teorias econômicas keynesianas que ajudaram os EUA saírem da crise dos anos 1930 e que pressupõem uma intervenção do Estado na economia quando existem momentos de problemas na economia.

A crise econômica pode ser combatida a partir de medidas que impliquem mudanças nos padrões de vida das pessoas, objetivando uma vida melhor para todos no futuro.

Outro país que demonstra estar comprometido em resolver problemas econômicos e, ainda assim, não esquecer os problemas de sustentabilidade existentes no cenário global, são os EUA. 

A Secretária de Estado Hillary Clinton, em uma conferência na Ásia, rejeitou a premissa de que utilizarmos melhor os recursos, de forma a atendermos as questões de sustentabilidade, possa impactar negativamente na economia de seu país e na liberdade individual de cada americano (questão bastante discutida nos EUA atualmente). 

O video mostra esta palestra, que traz insights interessantes sobre como os EUA deixaram a mentalidade atrasada da administração Bush para, ao menos, admitir que são parte do problema e devem agir de acordo.

Por fim, resta claro que é possível conciliar um cenário de adversidades, em esferas diferentes (economia e meio ambiente), de forma a conseguir superá-lo com medidas alinhadas e condizentes com as dificuldades atuais.

Espero que consigamos.

Eu sou aficcionado por fazer uma pós-graduação. Atualmente faço um MBA na FGV, mas acho que isto não é suficiente. Primeiro porque o curso não é exatamente excelente. Na verdade, é bastante fraco se comparado com as minhas expectativas iniciais. Em segundo lugar, creio que não estou endereçando efetivamente pontos relevantes para o país e para o desenvolvimento humano. Deixe-me explicar melhor.

Acredito ter ainda bastante “combustível intelectual” para queimar. Realizar um MBA é, na melhor das hipóteses, um meio rápido e cômodo de ter contato com ferramentas de administração de empresas, que podem ser eficazes para alguns. Não há uma reflexão mais profunda sobre o papel das instituições públicas, das empresas, das organizações ou das pessoas, sendo as aulas apenas uma mera repetição de práticas um tanto questionáveis, pinceladas por “causos” dos professores que nem exemplificam nem esclarecem tanto assim.

Creio que este seja um pensamento só meu. Não vejo nenhum colega de turma preocupado com estas questões da forma como as estou expondo aqui. Já tentei avaliar qual a percepção de meus colegas, mas a extensa maioria se resigna e quer somente o diploma para constar no currículo.

Creio que devo fazer algo. Ainda não sei bem o quê. 

Existem questões bastante relevantes atualmente que este curso (e sei que na maioria isso se repete) sequer tangencia. Só para citar, a questão da crise financeira internacional, a mudança das estratégias corporativas para meio ambiente, a questão de uma política efetiva de inovação nas empresas e no setor público, a estruturação de um sistema de produção mais adequado à capacidade de recursos do planeta, a inexistência de política de educação adequada no Brasil, entre outras.

Acontece que o país como um todo dá uma importância baixa para estas questões. Pouco se avalia a questão ambiental de forma objetiva e prioritária. Quase nada é avaliado da questão do consumo exagerado e dos problemas que isto pode causar. Nenhum movimento do governo no sentido de fomentar institutos de pesquisa para se ter informações sobre problemas crônicos do país (educação, produção, meio ambiente, etc) é realizado. Desta forma, vejo que enfrentamos um problema de apatia coletiva.

Respondendo, então, à pergunta-título deste post: Estamos no caminho certo? Entendo que não. O país não está em um rumo adequado quando se trata de pós-graduação; a Fundação Getúlio Vargas não faz jus ao nome que tem no mercado, oferecendo um MBA de baixo nível; eu não estou no caminho certo, pois não estou utilizando meu tempo para discutir coisas mais importantes no cenário atual do que como aumentar as vendas no varejo.

C´est la vie…

Story of Stuff

Já há um tempo tenho me ocupado de entender um pouco mais sobre as questões ambientais e que podem afetar meu futuro e o futuro de minha filha (que está a caminho – 7 meses hoje).

Este pequeno video de Annie Leonard, falando sobre consumismo e produção exagerada, nos dá uma boa idéia do que eu penso sobre o excesso de consumo que temos hoje. Na verdade, o que temos que avaliar não é que os produtores estão fazendo errado, mas que nós consumimos sem pensar no que realmente precisamos.

Será que precisamos de toda a bugiganga que compramos? Ipods, computadores, celulares, carros, etc? Essa é a ideia por tras do que Annie está falando.

Este é um excelente video. Aproveitem! E aproveitem também para dar uma olhada no site: http://www.storyofstuff.com

 

Eu nunca fui excelente na arte de empinar pipas. De fato, meus primos eram melhores do que eu, até porque meu tio Nicanor sempre foi um aficcionado por este invento chinês.

Benjamin Franklin e o filho com a pipa

Benjamin Franklin e o filho com a pipa

No entanto, a pipa não pode ser considerada somente um brinquedo. Todos sabemos da história de Benjamin Franklin usando este artefato para provar que os raios eram feitos de grandes descargas de eletricidade (apesar de não haver evidências de que ele tenha realmente empinado uma pipa em um dia de relâmpagos – veja: http://www.mos.org/sln/toe/kite.html). Santos Dumont usou pipas para encontrar o melhor meio de controlar um avião em voo. Os chineses usavam as pipas com fins militares e, mesmo hoje em dia, elas têm mais um monte de utilidades.

No entanto, um grupo de americanos desenvolveu um meio de extrair energia eólica das pipas.

A idéia é basicamente que, se fosse possível construir uma pipa que ficasse a uma certa altura onde os ventos são adequados, seria possível que a força do vento fosse usada para girar uma turbina, gerando energia.

O mecanismo é extremamente simples. Uma pipa, atrelada na base a uma turbina, voa com a força do vento em uma trajetória de forma a gerar eletricidade.

Modelo de Geração de Energia através de Pipa atrelada a Pipa. Fonte: Miles L. Loyd, Crosswind Kite Power

Modelo de Geração de Energia através de Pipa atrelada a Base Geradora. Fonte: Miles L. Loyd, Crosswind Kite Power

O mais interessante é a altitude que este modelo pode chegar. Quanto mais alto, maior o potencial gerador do vento. Como os grandes “ventiladores” eólicos não conseguem ultrapassar 100 metros de altura, um planador tipo pipa poderia chegar a grandes alturas e gerar muito mais eletricidade que as usinas hidrelétricas ou de biomassa que temos hoje.

A energia eólica é estimada como a segunda em potencial de energia limpa existente, perdendo apenas para a solar. A estimativa é que se possa gerar 3600 TW (tera Watts), ou 3,6 bilhões de MW, ou 257 mil usinas de Itaipu.

Estes dados foram tirados da apresentação de Saul Griffith, um PHD do MIT que fundou a Makani Power, uma companhia voltada para o desenvolvimento da tecnologia de energia eólica via pipas.

Vale uma visita ao site da empresa (que tem entre seus colaboradores um brasileiro – Dudu Mazzocato): http://www.makanipower.com/home.html. Ah, só como curiosidade, Makani que dizer vento em língua havaiana.

Segue um video de Saul Griffith explicando melhor a energia que vem das pipas.

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